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Os dados foram roubados pelo grupo hacker Anonymous no final do ano passado na chamada operação AntiSec, que invadiu servidores governamentais em todo o mundo e inclusive derrubou sites no Brasil. Posteriormente, foram entregues ao Wikileaks, que aos poucos avalia e revela parte do material colhido - nada menos que 200 gigabytes de material interno da empresa.
Em e-mails e documentos oficiais já divulgados, há menção a uma nova companhia de espionagem, dirigida por antigos figurões da CIA e do Pentágono, que teria criado uma versão mais exata do reconhecimento facial e que já teria instalado o software em câmeras de rua para vigiar grande parte dos norte-americanos que vivem nas grandes cidades.
Os dados colhidos nos pontos de monitoramento espalhados pelo país seriam enviados em tempo quase real para uma central, que criptografava o seu conteúdo e agregava as descobertas aos arquivos dos serviços de inteligência. Tudo isso era parte de um programa chamado TrapWire e inventado pela Abraxas, empresa que reúne ex-funcionários das principais agências governamentais e que tem grande entrada em círculos poderosos de Washington.
Apesar de ter atividades públicas e de o programa já ter sido divulgado pela imprensa anteriormente, os detalhes expostos nos arquivos do Wikileaks apresentaram o tema para boa parte do público norte-americano, que se espantou em constatar que as câmeras instaladas em postes nos seus bairros agora os vigiavam e estão conectadas a uma teia global de inteligência. O assunto mereceu menção nas principais publicações do mundo, como The New York Times ou The Guardian.
Os vazamentos do Wikileaks ganharam ainda mais atenção pela reação a eles. O site da organização ficou fora do ar nos últimos dez dias, vítima dos mesmos ataques de negação de serviço que caracterizam as ações do seu grupo-irmão, o Anonymous.
Especula-se que hackers de um grupo chamado Antileaks tenham sido contratados para bombardear o site e impedir que os seus documentos - possivelmente aqueles relacionados com a Stratfor – atingissem um público maior. A procedência dos ataques não é confirmada, mas a possibilidade de eles se relacionarem à exposição da Stratfor e do programa TrapWire é grande.
De acordo com um e-mail de 2009 vazado para o Anonymous, o vice-presidente de inteligência da Stratfor, Fred Burton, que já integrou a área do corpo diplomático responsável pela segurança, define o Trapwire como "uma solução tecnológica indicada para as zonas vermelhas para fim de reconhecimento de identididade". Outros documentos indicam que a Stratfor assinou um acordo de cooperação tecnológica com a Abraxas.
E você, como se sentiria se fosse vigiado o tempo todo por câmeras do governo e por agências de espionagem muito suspeitas?
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